Estou a entrar naquela fase da história em que começo a ter dúvida sobre o rumo que devo seguir... Por vezes sinto-me responsável pelo que acontece às personagens da histórias que escrevo e por isso dou por mim a pensar várias e várias vezes se quero ou não que determinado acontecimento, aconteça ou não.
"Rui caminhou ao longo do café até à mesa mais distante. Tinha-a visto junto ao portão da escola, e tinha-a visto entrar segundo depois dele no café. Não pediu licença. Sentou-se e fitou a Samanta que estava sem reação.
- Porque é que me estás a seguir? - perguntou ele.
- Eu? Deves estar a fazer confusão. - respondeu ela acendendo um cigarro.
- Deixo-te nervosa. - perguntou ele aproximando-se dela.
Ficou admirado quando ela não se afastou. Em vez disso ela afastou o cabelo castanho da frente do rosto e fitou-o com os seus olhos castanhos escuros.
- Nem por sombras. Mas eu devia deixar-te a ti nervoso! - atacou ela.
Rui sentiu como se tivesse levado um soco no estômago.
- Sabes bem quem eu sou. Salvaste a minha blusa de seda a sexta-feira passada.
- Sei muito bem quem és. Lembro-me de ti. Mas acho que uma blusa não é motivo para me seguires.
- A blusa não é, mas eu sei que fizeste alguma coisa, só não o sei provar sem parecer ridícula.
O Rui deu uma gargalhada e pediu-lhe que se explicasse. Ela tirou da carteira o esquema que fizera no dia depois do incidente e mostrou-lho.
- Era fisicamente impossível teres me afastado se não soubesses previamente o que ia acontecer.
- Estás a sugerir que eu tenho super poderes?
- Não estou a sugerir nada. Estou apenas a afirmar que alguma coisa aconteceu.
- Pois claro que sim. Olha esquece isto tudo e vive a tua vidinha...
- Estás a gozar comigo?!
Samanta ia começar a protestar quando percebeu que o rapaz estava muito tenso. Ele olhou em volta e levantou-se.
- Marcelo está na hora de fechar! - gritou ele. depois debruçou-se sobre a Samanta e segredou-lhe. - Sai daqui já!
- Tu não mandas em mim! - gritou ela.
- Já!!!
Rui começou a fechar os estores, e o dono do café deu ordem que ia fechar, o irmão da Viviana e os amigos foram os primeiros a sair, um deles deixou uma nota em cima da mesa e todos saíram. Os jovens que estavam numa das mesas junto à porta também saíram, Isabel não percebeu se eles já tinham feito o pagamento ou se aproveitaram para sair sem pagar. Alexa e Hugo continuaram sentados, mas estranhamente tensos. Enquanto procurava uma moeda para pagar o café viu Viviana a deixar uma moeda sobre a mesa e sair em direção à porta. Azar dos azares, com a pressa a moeda que procurava caiu e rolou pelo chão. Isabel baixou-se para a apanhar, quando se levantou, apenas teve tempo de ver o Rui a fechar a porta, mas antes que ele conseguisse um encapuzado forçou a entrada empurrando-o e fechando a porta depois de entrar.
- Mãos ao ar! – Disse ele empunhando uma pistola no ar. – Isto é um assalto!
Isabel sentiu-se estarrecida, e ficou imóvel de pé junto ao balcão. Atrás do balcão o dono disse.
- Tem calma, não faças nada… Nós tratamos de tudo! – disse o Marcelo.
- Nós? – perguntou a Isabel entredentes. – Não vejo aqui muitas pessoas que nos possam ajudar…
- Confia em mim por favor. – pediu o Marcelo enquanto o assaltante se aproximava. Na mesa do canto, Samanta estava imóvel e tentava passar despercebida. Na mesa mais perto do balcão Alexa e Hugo observavam tudo atentamente.
- Abre a caixa!!! – gritou o assaltante.
- Porque não fazemos as coisas com calma… - Sugeriu o Marcelo.
- Dê-lhe a porcaria do dinheiro… - disse a Isabel assustada, estava na mira da arma.
- Marcelo, a menina tem razão! – gritou o Rui junto à porta. Tinha visto pelos estores a Viviana e o irmão perceberem o que se estava a passar e pela velocidade com que estavam a falar ao telefone era bem provável que estivessem a relatar tudo à polícia.
- Dá-me o dinheiro da caixa… - ameaçou o assaltante apontando a arma ao peito de Isabel que soltou uma expressão de terror. – Ou aqui a menina vai acabar com uma bala no peito.
- Deixa a rapariga em paz e eu dou-te todo o dinheiro! – disse o Marcelo abrindo o caixa. Começou a tirar as notas e a coloca-las em cima do balcão.
Isabel sentia o corpo todo a tremer, contudo se alguém lhe tivesse perguntado se sentia com medo ela teria respondido que não, apenas sentia um pequeno nervoso miudinho e uma súbita vontade de olhar o assaltante nos olhos e lhe dizer para se ir embora.
Quando deu por si o assaltante tinha pegado nas notas que estavam sobre o balcão e meteu-as nos bolsos, dirigindo-se depois para a saída segurando ainda a arma, mas agora de uma forma mais descuidada, então do nada Alexa saiu disparada da sua mesa, atirando-se sobre ele, numa das mãos levava uma faca que tinha tirado do balcão e uso-a para a espetar no braço que segurava arma, depois disso, deu-lhe um soco tão certeiro que o deixou a dormir.
Em vez de gritarem ou fugirem, as 6 pessoas que estavam no café ficaram perplexas e trocaram olhares, Isabel caminhou até junto do assaltante, sentia como se alguma coisa no homem desmaiado, ferido e agora com o braço cheio de sangue a estivesse a chamar, subitamente sentiu fome, afinal de contas à quantos dias não conseguia comer? Preparava-se para se ajoelhar quando o corpo bem constituído de Alexa se colocou à frente dela.
- Não aqui! Não agora! – disse a irmã do Hugo segurando Isabel pelo ombros. – Hugo tira-a daqui!
- A polícia está chegar! – disse o Rui, depois virou-se para a Samanta – Se quiseres evitar problemas e burocracias com a policia vai com eles! – disse apontando para o Hugo e Isabel que se dirigiam à porta das traseiras.
Samanta assentiu e levantou-se a correr para seguir o Hugo que encaminhava Isabel ainda em estado de choque pela porta das traseiras. Contudo ainda antes de chegar a porta e ao passar pelo balcão viu algo que a deixou surpreendida, na caixa e nas mãos do Marcelo, estava ainda uma quantidade considerável de dinheiro que o assaltante tinha ignorado."
Se ainda não tiveste a oportunidade de ler...
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Estou super curiosa, porque é que o ladrão ignorou o dinheiro? Tenho um palpite, mas não digo.
ResponderEliminarBom fim de semana
Coisas de Feltro
Ia adorar conhecer a teoria, se pretenderes podes enviar-me a tua ideia por mensagem privada ou e-mail!
Eliminar😃
ResponderEliminarCurioso este romance que aqui vais deixando excertos.
ResponderEliminarEstou curioso para ver como termina.
Votos de um excelente fim de semana, amiga Teresa!
Beijinhos!
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
Muito obrigado!
EliminarGenial fragmento
ResponderEliminarThanks!
EliminarCada Capítulo deixa pistas que alteram o pensamento inicial. Mas está muito bom.
ResponderEliminarParabéns renovados.
Beijo
SOL da Esteva
Muito obrigado!
EliminarIsto promete :)
ResponderEliminarObrigada pelo feedback!
EliminarAguardamos com ansiedade os próximos capítulos. Bom final de semana.
ResponderEliminarFico feliz por saber!
EliminarMuito bom, gostei de ler mais este capítulo!
ResponderEliminar(❁´◡`❁)
Muito obrigada!
EliminarVery interesting..although, I will confess the title puts me off very much.
ResponderEliminarThanks!
EliminarBem
ResponderEliminaristo promete
e espero que não desatem aos tiros ( humor )
Boa e bela noite com alegria e Domingo feliz Teresa
Beijinhos.
Mais um belo capitulo, gostei.
ResponderEliminarUm abraço e bom Domingo.
Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados
Obrigado, fico feliz por saber!
EliminarOlá Teresa!
ResponderEliminarPassando por aqui, para desejar uma ótima semana com tudo de bom.
Beijinhos!
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
Thanks!
ResponderEliminarDear friend! Let me read whole 8 chapters then write comments. Ok!
ResponderEliminarThings go abit scary situation step by step.
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