sábado, 9 de março de 2019

Tinha tudo para correr mal (26º Capítulo)

Reparei que a maioria dos leitores e dos seguidores de "Tinha Tudo Para Correr Mal" ficou curiosa com os últimos acontecimentos, pois bem se quiserem culpar alguém pelos acontecimentos culpem os leitores que deixaram as suas sugestões neste post. Se quiserem ainda vão a tempo de mudar os acontecimentos, basta participarem no post indicado, deixando a vossa sugestão.
"Acho que vou vomitar. O que não faz muito sentido porque já não como nada desde o almoço e já passa das dez da noite. Será que este dia não vai acabar? 
Está na hora de enfrentar o meu problema numero dois. Um problema bem jeitoso que chegou a minha casa com um enorme ramo de rosas.
- Acho que vim em má altura... - Diz o meu amigo comprometido quando entro novamente na sala com dois cafés, o Luigi e o Mário já estão sentados aos pés dele, obviamente que aqueles dois traidores já fizeram amizade.
- Má altura para quem? - Pergunto com sarcasmo, obviamente que um homem comprometido não deve vir a casa de uma mulher com um ramo de rosas numa sexta-feira à noite.
- O teu amigo... Parecia chateado...
- Tivemos uma pequena troca de ideias... Ideias muito diferentes... Ou muito iguais... Olha sinceramente não sei, mas isto passa. - Digo bebendo o meu café de uma só vez. - Mas o que trás por aqui? Não me digas que assaltaste uma florista e decidiste esconder as provas do crime em minha casa!
Casa essa que ele nem deveria saber onde fica! Tenho mesmo que pensar em mudar-me!
Como ele não me responde eu acrescento:
- Além disso, se a memória não me falha não tens uma namorada em casa a quem oferecer estas lindas flores?
- Não! - Responde finalmente ele. Sinto o chão rodar por baixo de mim, estou tonta com esta informação e a vontade de vomitar aumentou agora que o chão parece uma pista de dança lotada.
- Desculpa?
- Eu e ela acabamos! 
Yupi! E não digo isso porque estou feliz por ele estar livre, digo isso porque o raio do chão está mesmo a rodar à minha volta. Subtilmente encosto-me à mesa para recuperar o equilíbrio e manter a postura.
- Hum... - Além de tonta não tenho jeito para estas coisas - Precisas de alguma coisa?
- Não, está tudo bem. - Responde ele com calma.
- Isso foi quando?
- A semana passada.
Não sei bem se me sinta aliviada ou rejeitada por ele não me ter vindo procurar no imediato. Mas vou apostar no "aliviada".
- OK - Digo de forma arrastada. - O que é que queres fazer agora?
- Quero-te conhecer como deve ser. Quero fazer as coisas como devem ser. 
- Certo... - Soa mais como um ceeeeeerrrrrrtttto. - Mas não achas que ainda é cedo para andares por ai a conhecer pessoas? Quer dizer só passou uma semana, se calhar vocês ainda podem voltar um para o outro...
Ele desata a rir, fito-o chateada por ele interromper o meu discurso cheio de boa vontade e cheio de virtudes.
- Porque é que estas a rir?
- Porque eu acabei com ela porque queria estar contigo! 
Olha cá está o chão a andar à roda outra vez, se isto continuar assim vou ter que me sentar e não quero.
- Eduarda? - Pergunta ele alarmado, devo estar mesmo com má cara.
- Espera não me estou a sentir bem, sinto o chão a abanar... Deve ser do stress, já fico normal!
- Eduarda, não és tu que estás tonta, o chão está mesmo a tremer! - Diz ele agarrando-me e puxando para baixo da mesa. - É um tremor de terra!
Só me faltava esta, um tremor de terra logo hoje! Tantos dias para isto acontecer, mas tinha acontecer no dia que este jeitoso se está a declarar. 
Esperem, um tremor de terra? Isso é grave, olho para ele ligeiramente assustada, dou por mim aninhada ao lado dele em baixo da mesa de jantar. Alguns segundos de medo, mas de repente tudo volta ao normal. 
- Luigi!!! Mário!!! - Grito, estou em puro pânico, espero que estejam bem.
Eles aproximam-se de mim e aninham-se ao meu lado de baixo da mesa, aparentemente estão bem por isso solto um suspiro de alívio. Preparo-me para sair de baixo da mesa com o máximo de graciosidade que me é permitida nesta situação, quando ele me segura pelo braço e me beija.
Estou tão focada no beijo que me esqueço completamente do conceito de "réplica" e algum tempo depois o chão volta a tremer, mas desta vez com mais violência, agarro os meus cachorros e protejo-os ao mesmo tempo vejo uma parede a rachar ao meu lado, quadros a cair e a jarra horrorosa que o Rodrigo me deu no natal a partir.
Estou simplesmente sem reação, alarmes a tocar na rua, pessoas aos gritos, coisas a partir. E então subitamente pára tudo de novo.
- Vamos para lá para fora, não é seguro, pode haver uma fuga de gás ou outra coisa qualquer!

Descemos as escadas a correr juntamente com o Luigi e com o Mário, outros vizinhos fazem o mesmo, está tudo em pânico. Minutos depois percebemos que o terror acabou, olho em volta, o alcatrão da estrada está rachado, um dos meus vizinhos está a sangrar, a minha vizinha de baixo está aos gritos, e uma mãe tenta acalmar um bebé que está a chorar. Seguro os meus cães com cuidado. Sinto os braços do meu amigo comprometido à minha volta. Finalmente percebo que é isto quando acontece quando a nossa vida se parte literalmente em cacos.
- Nunca soube o teu nome verdadeiro. - Digo-lhe por fim.
- Duarte! - Responde ele sem tirar os braços de mim e dos meus cães."


Espero que tenham gostado deste capitulo. Partilhem comigo as vossas opiniões.


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17 comentários:

  1. Um capítulo dramático este. Eu já passei por um sismo bem forte em 69 e dois menos intensos posteriormente e sei o terror que nos invade quando isso acontece.
    Abraço e bom fim-de-semana

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  2. Como diz a Elvira, um pouco dramático. Mas adorei :))

    Hoje:- Sinto-me o jardim mais florido da solidão [POETIZANDO]

    Bjos
    Votos de um óptimo Sábado

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  3. Emocionante o teu texto, mas adorei!

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  4. Uma grande reviravolta, mas algo expectável. Ainda assim, é sempre bom quando as coisas correm bem :)

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  5. Este capítulo está mesmo emocionante! Uau *-*

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  6. Muito bom!
    bjs
    http://www.pinkbelezura.com/

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  7. Um capítulo bem emocionante... que promete dramáticos e inesperados desenvolvimentos da história... Estou a gostar!
    Já tenho dado por alguns abalos... e de facto, este é um acontecimento, para o qual, nunca ninguém estará bem preparado!...
    Beijinhos
    Ana

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